RPM volta com superprodução, canções inéditas e metas ambiciosas
31 de março de 2002 - Por Paulo Eduardo Lacerda e Marcia Cristina Okubo
"É prá valer". Foi desta forma que o tecladista Luís Schiavon definiu a volta do RPM com sua formação original. Apesar de Paulo Ricardo, o vocalista, ter afirmado que o RPM era algo do passado, e que nunca mais gravariam juntos, a banda voltou com tudo. Depois de 13 anos separados, período durante o qual dedicaram-se a carreiras solo, Paulo Ricardo (vocal e baixo), Luís Schiavon (teclados e programação), Fernando Deluchi (guitarras) e Paulo P. A. (bateria) se reuniram nos últimos dias 26 e 27 para a gravação do especial "Acústico MTV", no qual tocaram seus antigos sucessos, músicas inéditas (uma das quais escrita por Herbert Viana, antes de seu acidente) e até um cover.
Na entrevista coletiva que concederam na quarta-feira (27), no Teatro Procópio Ferreira (São Paulo), pouco antes da segunda sessão de gravação do especial, os integrantes da banda e seu empresário (o "poderoso" Manoel Poladian) afirmaram que não haverá uma superexposição do RPM. Parece, porém, que acontecerá exatamente o contrário: além do especial para a MTV (a ser exibido no dia 10 de maio e lançado em CD e DVD), um novo disco com músicas inéditas já está na mão e a banda se prepara para várias aparições em programas de TV e rádio e para fazer mais de 150 shows a partir de junho.
Superexposição à parte, há uma forte pressão da gravadora, do empresário, e dos próprios músicos do RPM para que estes apareçam novamente, e de fato, como uma banda. Deste modo, não foram permitidas na coletiva perguntas pessoais, nem tampouco perguntas individuais (sobre álbuns solo e coisas do gênero). Tudo isso exatamente para desvincular a imagem do RPM da carreira solo de seu vocalista, Paulo Ricardo, que, quando separado da banda, se aventurou por um pop romântico totalmente oposto ao rock politizado e empolgante que levou o nome RPM às alturas.
O cenário montado pela MTV para o Especial RPM realçou bastante a banda, de forma muito original. Atrás do palco, vários televisores mostravam imagens da banda e imagens transcendentais enquanto estes tocavam, e um painel colocado mais ao fundo trazia capas de jornais e revistas nos quais o RPM fora destaque na época de seu auge.
Se em entrevistas Paulo Ricardo é o que mais aparece, no palco ele praticamente some. Não por ser um mau vocalista/baixista, e sim porque houve uma real volta do RPM. Fernando Deluchi deu um show na guitarra, até mesmo durante a presença de Roberto Frejat (Barão Vermelho), que empunhou o instrumento na releitura de "Exagerado", de Cazuza. Deluchi conseguiu empolgar até mesmo quando as guitarras eram trocadas por violões, o que aconteceu poucas vezes, já que o show não foi feito, de fato, no formato "acústico" (violões, banquinho, violinos). Foi realmente um show de rock, com o diferencial de haver uma orquestra a acompanhá-los, aumentando ainda mais a qualidade do som.
P.A. foi outro destaque. Sua bateria excepcional foi tocada com tanta força e vontade que tornou oportuna a colocação de uma proteção de acrílico para evitar que uma eventual escapada de baquetas atingisse a platéia. Já Luís Schiavon foi talvez a figura mais morna. No entanto, não chegou a comprometer, mesmo porque com a utilização de uma orquestra o trabalho para os teclados foi menor - uma pena, pois Schiavon é realmente um grande músico e compositor. Por sua vez, Paulo Ricardo foi mesmo Paulo Ricardo: cantou bem, não fez feio no baixo e empolgou a platéia.
Paulo Ricardo e Fernando Deluqui.
Foram tocadas no show um total de 18 músicas, das quais cinco são inéditas. Uma música ainda fica entre o inédito e o conhecido: é "Vida Real", tema do Big Brother Brasil, que soou bem melhor ao vivo. A música "Naja", toda instrumental, teve a participação de Otto, nas percussão, o que a tornou ainda melhor, misturando o já conhecido tecnopop da versão original com um "quê" tribal do tambor do pernambucano.
Enfim, o disco será uma grande oportunidade de conhecer o RPM, uma das melhores bandas da atualidade, apesar de já não ser tão atual. O rock da banda é antes de tudo realmente rock, forte, e, o que é melhor, politizado - algo que já não existe mais. Tome-se como exemplo a música "Alvorada Voraz", que em sua letra original trazia "...o caso Morel/ o escândalo das jóias...", referências a crimes ocorridos na época do disco "RPM ao vivo"; Paulo Ricardo canta agora (mudando a letra neste já citado trecho) "...o caso SUDAM/ Maluf, Lalau/ ...Sarney...". Foi um momento, aliás, em que a platéia veio abaixo.
E para os que já conhecem o RPM e não pararam no tempo, esse show soa ainda melhor do que o "Ao vivo" de 1986. Por coincidência (ou não) as gravações de ambos ocorreram em dias 26 e 27 (de maio, em 1986, e de março, em 2002). O primeiro vendeu 2 milhões de cópias. O deste ano, conforme disse o próprio empresário da banda, por sua qualidade, deverá vender muito mais do que o de 1986. É bem provável.
SetList
1. Revoluções Por Minuto
2. Alvorada Voraz
3. Juvenilha
4. Sete Mares
5. Fatal (romanântica e sombria, é inédita)
6. Guerra Fria
7. London, London
8. A Cruz e a Espada (Teve participação de Renato Russo, em fundo gravado. Paulo Ricardo lembrou, inclusive, que a gravação da música foi muito emocionante, pois Renato já estava doente)
9. Onde está o meu amor (inédita)
10. Exagerado
11. Vem pra mim (Romântica e melancólica, foi composta por Herbert Viana para Paulo Ricardo, enquanto este ainda estava em carreira solo outra inédita)
12. Naja
13. Eu quero mais (Um tecno-rock inédito, a melhor do show)
14. Sob a luz do sol
15. Rainha (inédita)
16. Loiras geladas
17. Rádio Pirata
18. Vida Real
Fonte: centraldamusica.com.br
Superexposição à parte, há uma forte pressão da gravadora, do empresário, e dos próprios músicos do RPM para que estes apareçam novamente, e de fato, como uma banda. Deste modo, não foram permitidas na coletiva perguntas pessoais, nem tampouco perguntas individuais (sobre álbuns solo e coisas do gênero). Tudo isso exatamente para desvincular a imagem do RPM da carreira solo de seu vocalista, Paulo Ricardo, que, quando separado da banda, se aventurou por um pop romântico totalmente oposto ao rock politizado e empolgante que levou o nome RPM às alturas.
Paulo Ricardo, no show.
Muito mais que um acústico
O cenário montado pela MTV para o Especial RPM realçou bastante a banda, de forma muito original. Atrás do palco, vários televisores mostravam imagens da banda e imagens transcendentais enquanto estes tocavam, e um painel colocado mais ao fundo trazia capas de jornais e revistas nos quais o RPM fora destaque na época de seu auge.
Se em entrevistas Paulo Ricardo é o que mais aparece, no palco ele praticamente some. Não por ser um mau vocalista/baixista, e sim porque houve uma real volta do RPM. Fernando Deluchi deu um show na guitarra, até mesmo durante a presença de Roberto Frejat (Barão Vermelho), que empunhou o instrumento na releitura de "Exagerado", de Cazuza. Deluchi conseguiu empolgar até mesmo quando as guitarras eram trocadas por violões, o que aconteceu poucas vezes, já que o show não foi feito, de fato, no formato "acústico" (violões, banquinho, violinos). Foi realmente um show de rock, com o diferencial de haver uma orquestra a acompanhá-los, aumentando ainda mais a qualidade do som.
P.A. foi outro destaque. Sua bateria excepcional foi tocada com tanta força e vontade que tornou oportuna a colocação de uma proteção de acrílico para evitar que uma eventual escapada de baquetas atingisse a platéia. Já Luís Schiavon foi talvez a figura mais morna. No entanto, não chegou a comprometer, mesmo porque com a utilização de uma orquestra o trabalho para os teclados foi menor - uma pena, pois Schiavon é realmente um grande músico e compositor. Por sua vez, Paulo Ricardo foi mesmo Paulo Ricardo: cantou bem, não fez feio no baixo e empolgou a platéia.
Paulo Ricardo e Fernando Deluqui.
Foram tocadas no show um total de 18 músicas, das quais cinco são inéditas. Uma música ainda fica entre o inédito e o conhecido: é "Vida Real", tema do Big Brother Brasil, que soou bem melhor ao vivo. A música "Naja", toda instrumental, teve a participação de Otto, nas percussão, o que a tornou ainda melhor, misturando o já conhecido tecnopop da versão original com um "quê" tribal do tambor do pernambucano.
Enfim, o disco será uma grande oportunidade de conhecer o RPM, uma das melhores bandas da atualidade, apesar de já não ser tão atual. O rock da banda é antes de tudo realmente rock, forte, e, o que é melhor, politizado - algo que já não existe mais. Tome-se como exemplo a música "Alvorada Voraz", que em sua letra original trazia "...o caso Morel/ o escândalo das jóias...", referências a crimes ocorridos na época do disco "RPM ao vivo"; Paulo Ricardo canta agora (mudando a letra neste já citado trecho) "...o caso SUDAM/ Maluf, Lalau/ ...Sarney...". Foi um momento, aliás, em que a platéia veio abaixo.
E para os que já conhecem o RPM e não pararam no tempo, esse show soa ainda melhor do que o "Ao vivo" de 1986. Por coincidência (ou não) as gravações de ambos ocorreram em dias 26 e 27 (de maio, em 1986, e de março, em 2002). O primeiro vendeu 2 milhões de cópias. O deste ano, conforme disse o próprio empresário da banda, por sua qualidade, deverá vender muito mais do que o de 1986. É bem provável.
SetList
1. Revoluções Por Minuto
2. Alvorada Voraz
3. Juvenilha
4. Sete Mares
5. Fatal (romanântica e sombria, é inédita)
6. Guerra Fria
7. London, London
8. A Cruz e a Espada (Teve participação de Renato Russo, em fundo gravado. Paulo Ricardo lembrou, inclusive, que a gravação da música foi muito emocionante, pois Renato já estava doente)
9. Onde está o meu amor (inédita)
10. Exagerado
11. Vem pra mim (Romântica e melancólica, foi composta por Herbert Viana para Paulo Ricardo, enquanto este ainda estava em carreira solo outra inédita)
12. Naja
13. Eu quero mais (Um tecno-rock inédito, a melhor do show)
14. Sob a luz do sol
15. Rainha (inédita)
16. Loiras geladas
17. Rádio Pirata
18. Vida Real
Fonte: centraldamusica.com.br