RPM volta e diz que não haverá hiperexposição desta vez
Quarta, 27 de março de 2002, 18h04
O grupo RPM está de volta confirmada para o começo de maio. Em dois dias de gravação de um especial para a MTV, Paulo Ricardo e seus antigos colegas efetivam um retorno com provável super-promoção. Não será um acústico tradicional e sim um novo formato da emissora musical, que estréia no dia 10 de maio, às 22h30.

O retorno do grupo vai ser um teste de popularidade e o quanto a nostalgia conta neste tipo de projeto. Como Capital Inicial e Ira!, alguns torcem o nariz para revivals "oitentistas", como o cantor e apresentador da MTV João Gordo, que em seu programa lamentou o ressurgimento das cinzas de Paulo Ricardo e companhia. Isso se explica pelo fato do RPM ter sido a primeira banda com hiperexposição na história do pop brasileiro. Depois vieram Mamonas Assassinas e congêneres. O barulho foi tanto que, graças à própria estratégia, sucumbiram.
Agora eles se dizem mais preparados, maduros. Foram 91 dias de ensaios para os dois dias de gravação. Todos os membros originais, após 13 anos de afastamento, estão de volta: Paulo Ricardo, Luiz Schiavon, Paulinho Valenza ( P.A.) e Fernando Deluqui. Com tom de voz aparentemente cansado, destoante da "volta retumbante", Paulo Ricardo justificou o retorno: "A idéia sempre esteve no ar, os fãs sempre pediram, as gravadoras sempre ligavam. Mas a fagulha foi um telefonema do Deluqui para o Luiz participar de um show dele. Aí o Luiz me ligou e eu liguei para o P.A.". A outra versão, citada por fontes da Universal, é que a gravadora sim é que contatou o RPM com a proposta. Nesse meio tempo, a voz de Paulo Ricardo pôde ser ouvida no tema internacional, vertido para o português, do Big Brother Brasil.
E não é só. O quinto RPM está na parada também, o empresário Manuel Poladian, considerado um "midas" do meio artístico. Ele foi o responsável pela disparada de shows e promoções do grupo na década de 80 - e, na de 90, responsável pelo êxito do retorno dos Titãs. "Ele não deveria ter saído do grupo nunca", deixou escapar P.A., quase que sem querer. Com esse quinteto somado à MTV, tudo leva a crer que haverá uma explosão de marketing em cima do "produto". O RPM refuta a hipótese: "Não existe uma superexposição programada da banda. É o público que pede. Não tem como armar desta maneira", afirma Schiavon, adicionando que existe uma curiosidade da mídia em torno da volta da banda.
Mas existe sim como "armar" desta maneira, independente de eles saberem disso ou até assumirem essa possibilidade. O próprio Poladian vê o grupo como um produto, quando questionado sobre uma suposta expectativa de 2 milhões de cópias vendidas do novo disco. Ele diz que falou isso no calor da emoção, quando assistia à gravação ontem do primeiro show para a MTV. "O que quis dizer foi que com esse trabalho, com essa qualidade, em um produto novo como esse da MTV, temos de vender mais de 2 milhões de cópias. Sou só o empresário e minha função é maximizar as coisas", diz.
Metamorfose
"Eu não tô sabendo de nada", foi logo pregando Paulo Ricardo, que trajava na entrevista uma camisa estilo "São Tomé das Letras", óculos escuros modernosos (ah, ele operou e não é mais míope) e cabelos compridos na franja. Ele foi o alvo das contradições, pois em entrevistas anteriores afirmava que o RPM era uma coisa do passado. "Graças a Deus a vida é uma coisa em completo movimento", começa, citando filósofos do I-Ching. "Às vezes leio entrevistas antigas e digo 'Como é que eu falei uma coisa estúpida dessas?' Prefiro ser como o Raul Seixas, uma 'metamorfose ambulante'", completa.
O grupo RPM está de volta confirmada para o começo de maio. Em dois dias de gravação de um especial para a MTV, Paulo Ricardo e seus antigos colegas efetivam um retorno com provável super-promoção. Não será um acústico tradicional e sim um novo formato da emissora musical, que estréia no dia 10 de maio, às 22h30.

O retorno do grupo vai ser um teste de popularidade e o quanto a nostalgia conta neste tipo de projeto. Como Capital Inicial e Ira!, alguns torcem o nariz para revivals "oitentistas", como o cantor e apresentador da MTV João Gordo, que em seu programa lamentou o ressurgimento das cinzas de Paulo Ricardo e companhia. Isso se explica pelo fato do RPM ter sido a primeira banda com hiperexposição na história do pop brasileiro. Depois vieram Mamonas Assassinas e congêneres. O barulho foi tanto que, graças à própria estratégia, sucumbiram.
Agora eles se dizem mais preparados, maduros. Foram 91 dias de ensaios para os dois dias de gravação. Todos os membros originais, após 13 anos de afastamento, estão de volta: Paulo Ricardo, Luiz Schiavon, Paulinho Valenza ( P.A.) e Fernando Deluqui. Com tom de voz aparentemente cansado, destoante da "volta retumbante", Paulo Ricardo justificou o retorno: "A idéia sempre esteve no ar, os fãs sempre pediram, as gravadoras sempre ligavam. Mas a fagulha foi um telefonema do Deluqui para o Luiz participar de um show dele. Aí o Luiz me ligou e eu liguei para o P.A.". A outra versão, citada por fontes da Universal, é que a gravadora sim é que contatou o RPM com a proposta. Nesse meio tempo, a voz de Paulo Ricardo pôde ser ouvida no tema internacional, vertido para o português, do Big Brother Brasil.
E não é só. O quinto RPM está na parada também, o empresário Manuel Poladian, considerado um "midas" do meio artístico. Ele foi o responsável pela disparada de shows e promoções do grupo na década de 80 - e, na de 90, responsável pelo êxito do retorno dos Titãs. "Ele não deveria ter saído do grupo nunca", deixou escapar P.A., quase que sem querer. Com esse quinteto somado à MTV, tudo leva a crer que haverá uma explosão de marketing em cima do "produto". O RPM refuta a hipótese: "Não existe uma superexposição programada da banda. É o público que pede. Não tem como armar desta maneira", afirma Schiavon, adicionando que existe uma curiosidade da mídia em torno da volta da banda.
Mas existe sim como "armar" desta maneira, independente de eles saberem disso ou até assumirem essa possibilidade. O próprio Poladian vê o grupo como um produto, quando questionado sobre uma suposta expectativa de 2 milhões de cópias vendidas do novo disco. Ele diz que falou isso no calor da emoção, quando assistia à gravação ontem do primeiro show para a MTV. "O que quis dizer foi que com esse trabalho, com essa qualidade, em um produto novo como esse da MTV, temos de vender mais de 2 milhões de cópias. Sou só o empresário e minha função é maximizar as coisas", diz.
Metamorfose
"Eu não tô sabendo de nada", foi logo pregando Paulo Ricardo, que trajava na entrevista uma camisa estilo "São Tomé das Letras", óculos escuros modernosos (ah, ele operou e não é mais míope) e cabelos compridos na franja. Ele foi o alvo das contradições, pois em entrevistas anteriores afirmava que o RPM era uma coisa do passado. "Graças a Deus a vida é uma coisa em completo movimento", começa, citando filósofos do I-Ching. "Às vezes leio entrevistas antigas e digo 'Como é que eu falei uma coisa estúpida dessas?' Prefiro ser como o Raul Seixas, uma 'metamorfose ambulante'", completa.
Mas voltemos à cronologia da volta. O grupo deixou de existir em 1990, depois de três discos (Revoluções por Minuto, Rádio Pirata ao Vivo e Os Quatro Coiotes). O cantor ainda tentou um realinhamento com um grupo chamado Paulo Ricardo e o RPM, que tinha somente ele e Deluqui, mas que não deu certo. Todos seguiram carreira solos e a mais bem sucedida foi mesmo do líder da banda. A reaproximação mesmo começou no final de dezembro de 2001, sem muito alarde. "Foi instantâneo. A magia estava ali", conta o cantor, enquanto Deluqui adicionava que seis meses atrás nem imaginava essa situação. Schiavon também quer deixar claro que não vão naufragar na praia: "É pra valer!". Isso por que o grupo explicou que o motivo para terminarem tudo em 1990 foi falta de conciliação musical dos membros, que queriam seguir projetos que não cabiam no RPM. Paulo Ricardo agora diz que a química entre eles está "como um casamento".
O show/disco será gravado em dois dias. Um deles aconteceu nesta terça e o outro nesta quarta, no Teatro Procópio Ferreira. Será uma apresentação fechada para convidados, mas parte do repertório já foi revelada. Terão cinco canções inéditas, sendo uma música de Herbert Vianna, duas parcerias entre Paulo e Schiavon e uma entre o cantor e Deluqui. O material sofreu, mas não sofreu mutações. O que era "eletrônico" e considerado pela banda como "vintage" (antigo e bom), permaneceu, como os teclados. O que era ruim mesmo, como as baterias eletrônicas da Simmons, foi limado. "Acho que botaram fogo na fábrica da Simmons", brinca o cantor. Eles vão tocar Olhar 43, Loiras Geladas, Rádio Pirata, A Cruz e a Espada (de Renato Russo), London, London e Alvorada Alvoraz, entre outras.
Já por esse número de hits dá para entender como o "fenômeno" dos anos 80 se formou e colocou nas paradas quase todas as músicas do antigo disco RPM ao Vivo.
Ricardo Ivanov / Redação Terra
O show/disco será gravado em dois dias. Um deles aconteceu nesta terça e o outro nesta quarta, no Teatro Procópio Ferreira. Será uma apresentação fechada para convidados, mas parte do repertório já foi revelada. Terão cinco canções inéditas, sendo uma música de Herbert Vianna, duas parcerias entre Paulo e Schiavon e uma entre o cantor e Deluqui. O material sofreu, mas não sofreu mutações. O que era "eletrônico" e considerado pela banda como "vintage" (antigo e bom), permaneceu, como os teclados. O que era ruim mesmo, como as baterias eletrônicas da Simmons, foi limado. "Acho que botaram fogo na fábrica da Simmons", brinca o cantor. Eles vão tocar Olhar 43, Loiras Geladas, Rádio Pirata, A Cruz e a Espada (de Renato Russo), London, London e Alvorada Alvoraz, entre outras.
Já por esse número de hits dá para entender como o "fenômeno" dos anos 80 se formou e colocou nas paradas quase todas as músicas do antigo disco RPM ao Vivo.
Ricardo Ivanov / Redação Terra