Os 5 erros que levaram ao fim do RPM, uma das bandas mais importantes do rock nacional.

Costuma-se dizer que o RPM chegou ao fim por causa do uso de drogas, mas isso é uma explicação simples, de uma série de acontecimentos provocados pelos próprios integrantes da banda, que levaram ao fim da banda.
A explicação do final do RPM, é mais complexa, foi consequência de 5 erros, que a banda cometeu ao longo de sua carreira. As drogas geraram problemas dentro da banda sim, mas não foram a causa mais importante para o fim da banda.
Veja no video a seguir.
Em primeiro lugar, foi a saída do empresário Manoel Poladian no final de 1986.
A banda decidiu demitir o empresário e assumir o controle da carreira. Porém, como costuma acontecer na música, ser um grande artista não significa ser um bom empresário. O Poladian não só lhes deu estrutura, mas também administrou os egos dentro do grupo. Sem ele, a banda acabou perdendo o equilíbrio.
O segundo erro foi a mudança na forma de compor da banda e tentar modificar o som do grupo. O conflito de egos e a mudança na dinâmica criativa do RPM, à medida que a banda crescia, os demais integrantes queriam ter maior participação nas composições. O guitarrista Fernando Deluqui até quis cantar na banda.
Com a intenção de democratizar o processo criativo, o RPM modificou sua fórmula, o que afetou sua identidade musical e levou ao declínio da qualidade de suas produções. Paulo Ricardo e Luiz Schiavon, que haviam composto o repertório dos dois primeiros discos, por pressão de seus companheiros, não teriam total controle do repertório no álbum seguinte.
Essa história do Delúqui cantar, está contada no livro da banda, é verdade que essa pressão, principalmente do guitarrista para compor e cantar suas músicas, gerou problemas internos e fez modificar a estrutura de trabalho da banda.
O resultado musical do álbum Quatro Coiotes é consequência da participação de todos nas composições, e da perda de espaço por parte do tecladista Luiz Schiavon, líder musical da banda.
No terceiro caso foi o fracasso do álbum Quatro Coiotes. Um bom álbum, mas não foi a continuação do rádio pirata ao vivo de 1986, sem músicas que pudessem dar continuidade à faixas como Olhar 43 ou Louras geladas.
Querendo se afastar da imagem de boy band, e fazer músicas menos comerciais, o RPM lançou um álbum radicalmente diferente de seus sucessos anteriores. O resultado: nenhum acerto e perda de interesse do público.
Essa falha poderia ter sido resolvida com o lançamento de um novo álbum depois do Quatro Coiotes, para tentar esquecer esse álbum e trabalhar mais na linha do Revoluções por minuto de 1985.
Em quarto lugar, as más decisões empresariais, a falta de visão por parte dos integrantes do grupo, principalmente de Paulo Ricardo e Luiz Schiavon. Após a turnê de 1986, a banda se distraiu com projetos paralelos: sua própria gravadora, um filme e uma casa cultural.
Eles não só perderam tempo e dinheiro, mas também o foco em sua carreira musical. No caso do filme, que poderia ter sido um bom caminho a ser explorado, as divergências entre os integrantes fizeram com que o projeto fosse cancelado.
Por último, a deterioração da sua imagem pública. O RPM começou a perder o apoio da imprensa, dos colegas e da indústria. Como resultado do abuso de substâncias, não chegavam às entrevistas nas melhores condições, rejeitaram propostas importantes, como incluir a sua música numa novela, e os problemas com a imprensa, o que levou a um boicote das rádios em 1988.
As drogas potencializaram algumas atitudes da banda, como o mau relacionamento entre os integrantes, os maus-tratos à imprensa e algumas decisões tomadas pela banda, tudo isso mostrou que os integrantes pensavam que aquele sucesso, o amor de seus fãs e o dinheiro nunca acabariam, eles não tiveram a capacidade crítica para pensar em uma carreira de longo prazo.
Portanto, embora as drogas tenham potencializado essas mudanças de atitude, não foi a única razão para o fim da banda.
Por tudo isso, quando a banda teve que trabalhar na gravação do quarto disco, as diferenças musicais e o relacionamento entre eles já eram irreconciliáveis.
A tentativa na época de culpar Luiz Schiavon pelo fim da banda, por tentar gravar um álbum solo, chateado por suas músicas terem ficado de fora do álbum anterior, é uma grande sacanagem